De vez em quando
De vez em quando passo por aqui.
Está vazio. O tasqueiro não aparece.
Limpo o pó. Tiro as teias de aranha dos cantos. Penso sempre que é desta e nunca é. Não sou blogger. Nunca fui. Se calhar não tenho espírito para o ser. E tenho fantasmas demais, demasiados esqueletos no armário. Mas de vez em quando passo por aqui e limpo o pó. Se calhar um dia destes consigo que a tasca tenha mais luz, e que o menu seja mais apetecível aos clientes que passam lá fora de maneira a que tenham vontade de entrar. Hoje reli coisas antigas que espalhei por outras tascas, e entre elas algumas sobre a velha dicotomia do SL=alienados, nomeadamente um artigo antigo no blogue de um senhor da rádio. E pus-me a pensar. Hoje em dia já não faço a profetização do SL. Não sei se algum dia a fiz, mas hoje não a faço de certeza. Gosto de por ali andar, mas acho que as pessoas têem que descobrir os seus próprios caminhos e respeitar as opções de cada um, e isto é válido para todos os lados de cada questão. No meu caso pessoa é um caminho que continuo a trilhar, de maneira diferente hoje em dia, mas um caminho que me trouxe pessoas queridas, amigos, confidentes, eu sei lá, e que ao contrário do que algumas pessoas podem pensar muito mais importantes cá fora na vida do dia a dia, alguns até amigos primeiro cá fora e apenas depois lá dentro. E mesmo que um dia todo este mundo virtual que serve de base a estas coisas desapareça, o que ganhei foi tanto, e as pessoas continuarão perto de mim.
Estou a pensar demais, como sempre e a divagar, qual velho que lê romances de amor. A Tasca precisa de sol e de luz. Precisa de abrir as portas e deixar entrar o ar fresco, e soltar este cheiro a mofo, e a bafio, este cheiro a alcool azedo de tasca fechada.